« Também no dia 25 p. p. se manifestou um pavoroso incendio n’uns pinhaes e
mato no sitio das mentes, no caminho que conduz à Lapa, causando grandes prejuizos a varios proprietarios, sendo o mais queixoso o nosso amigo Prudêncio da Silva Ribeiro que lhe ardeu mato e
pinheiros na extensão de dois dias de lavoura. Ao toque do sino acudiu todo o povo de Ourentã que conseguiu apagar o fogo. C. M. »
Gazeta de Cantanhede, n° 220, 17/09/1921, p 2.
E de reparar que os prejuizos incluiam o mato. Era antigamente considerado como uma riqueza, ja que era destinado para fertilizar os campos depois de ter sido aplicado nos curais do gado,
tornando-se estrume.
Para medir a superficie, era comum utilizar os dias de lavoura, ou seja a superficie que se podia lavrar num dia... mas não sei quanto isso pode mediractualmente.
O casal Joaquim Marques da Silva e Josefa Maria dos Santos, de Ourentã, tiveram alguns descendentes ilustres :
Joaquim Marques da Silva filho de : Leonardo da Silva e Maria Marques neto paterno de : Manuel José Silvano e Maria de Abrantes neto materno de : José Galvão e Maria Marques
Casou comJosefa Maria dos Santos filha de : Antonio Miguéis dos Santos e Maria dos Santos neta paterno de : Manuel Miguéis e Isabel Francisca neta materno de : Francisco Santos Palmela e Mariana dos Santos
Todos de Ourentã
Tiveram pelo menos dois filhos :
1. Teresa Joaquina da Silva (1792) casada com José da Costa Alves Ribeiro filhos :
1.1 Emilia Cândida Alves Ribeiro (1819), casada com Faustino Ferreira de Noronha Oliveira
e Faro (1788-1843), 1a viscondessa de Santo Varão. Sem descendência.
1.2 Cândida Alves Ribeiro, casada com José Adolfo Troni (Lente Catedrático da Universidade de Coimbra).
estes são os 3°-avós de José Augusto Perestrelo
de Alarcão Troni (1944),que foi Secretário de Estado Adjunto do Ensino Superior e Ministro das Obras Públicas,Transportes e
Comunicações.
2. Joaquim da Silva (1801) casado com Cândida Augusta Ferreira Girão Couceira da Silva (1814-1900) filhos :
2.1 Maria Guilhermina Ferreira Couceira da Silva (1843-1925). Casada com Andrien Gabriel Viger Pelée de Varennes (1836-1903), Cavaleiro da Ordem de Cristo.
(este era filho do médico francês Paul Prosper Gabriel Viger Pelée de Varennes (1807-1846) e sua esposa Augustine Henriette Lamache.)
Filhos :
2.1.1 Paul Prosper Gabriel Viger Pelée de Varennes. Director da Mala Real Inglesa em Portugal. Sem descendência.
2.1.2 Camille Gabriel Viger Pelée de Varennes (1866-1926). Casada com José Jerónimo Rodrigues Monteiro (1855-1931), Ministro das Finanças
(1815) , oficial da Ordem de São Tiago e cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis. Filha :
2.1.2.1 Maria Isabel de Varennes Monteiro (1887-1974). Casada
com Raúl Miguel de Mondonça (1877-1953), engenheiro, deputado, Presidente do Conselho de Administração da União Eléctrica Portuguesa. Filhos :
2.1.2.1.1 António de Varennes Monteiro de Mendonça (1906-1958). Casou com Noémia da Silva Costa Ferreira Marques (1920-1999). Tiveram duas filhas : Isabel Maria (1947) e Maria Teresa
Marques de Varennes de Mendonça (1949).
Também teve duas filhas com Maria Jesuina Da Saúde Manoel de Menezes Berquó de Faria (1907-1951). Filha de João Alfredo de Faria (1861-1921) ,
General de Infantaria, e deMaria Amália Manoel do Amaral Berquó (1878-1960), representante dos títulos de Marquês e Conde de Viana e
Marquês de Cantagalo.
Filhas :
2.1.2.1.1.1 Maria Isabel Manoel Berquó de Faria de Varennes de Mendonça (1927), 5ª
marquesa de Viana. Foi legitimada por carta de D. Manuel II de Janeiro de 1930. Casada António Mittermayer Madureira Nunes Borges de Carvalho Ramos Chaves (1929). Filhos :
2.1.2.1.1.1.1 Nuno de Varennes Ramos Chaves Berquó (1957) 6º marquês de Viana
2.1.2.1.1.1.2 Miguel de Varennes de Mendonça Ramos Chaves (1961) Assessor Politico da Embaixada do Japão, Representante do título de Marquês de
Cantagallo
2.1.2.1.1.1.3 Rita Maria de Varennes de Mendonça Ramos Chaves
2.1.2.1.1.2 Maria Luísa Manoel Berquó de Faria de Varennes de Mendonça (1929-2007), 6ª condessa de Viana. Foi legitimada por carta de D.
Manuel II de Janeiro de 1930. Casada com Adelino de Sousa Seabra (1924). Filho : 2.1.2.1.1.2 .1 José Manuel Berquó de Mendonça Seabra de Menezes (1950), 7º conde de Viana
2.1.2.1.2 Pedro de Varennes Monteiro de Mendonça (1915-1990), engenheiro. Casou em 1935com Maria Joaquina Corrêa Ferreira Roquette (1915-1985)(foto), e em 1952 com Amarylis Rosa y Alberty,
Engenheira agrónoma.
2.2 Emilia Ferreira Couceira da Silva. casada com Manuel da Guerra Santos.
2.3 Cândida Ferreira Couceira da Silva casada com Antonio Soares Couceiro.
2.4 Amélia Ferreira Couceira da Silva. Sem descendência.
2.5 Julia Ferreira Couceira da Silva. Sem descendência.
o Padre Manuel António Marques nasceu no lugar de Outeiro de Vila Cã (concelho de Pombal), a 1 de Outubro de 1913, e faleceu a 27 de Abril de 2004.
Filho de Joaquim António Marques e Isabel Gameiro de Vila Cã.
Percurso :
- 8 de Janeiro de 1929 : entra para o Seminário de Coimbra
- 9 de Junho de 1939 : recebe a Ordenação Sacerdotal
- 10 de Junho de 1939 até Novembro de 2000 : pároco da freguesia de Ourentã - 10 de Junho de 1939 até Outubro de 2003 : pároco da freguesia de Pocariça
- 4 de Fevereiro de 1945 a Agosto de 1945 : pároco da freguesia de Murtede
- de 1941 até 1989 : pároco de Cordinhã por cinco ocasiões diferentes - de Outubro de 1942 até 1972 : professor de Religião e Moral no Colégio Infante Sagres, de Cantanhede
- Janeiro de 1965 : nomeado professor de Religião na Escola de Assistentes Sociais de Coimbra (Escola Normal Social) - 1972 até 1982 : professor de Religião na Escola Secundária de Cantanhede
Actividades Literárias :
Desde Setembro de 1939 até finais de Abril de 2002, participou na realização do jornal Boa Nova , também foi seu Director durante cerca de 20 anos.
Escreveu as obras seguintes :
- Pe MARQUES Manuel António. Fragmentos de História da Freguesia de Pocariça do Concelho de Cantanhede. Coimbra : 1994.
- Pe MARQUES Manuel António. Monografia da freguesia de Ourentã. Coimbra: 1992.
Uma das especialidades da freguesia de Ourentã é a fabricação de foguetes (na Lapa e Povoa do Bispo). É uma actividade que não é sem
risco, e os foguetes provocam várias vezes incêndios...
no dia 27 de Julho de 1910 " um foguete cahiu na eira do Sr Antonio d'Oliveira, queimando uma porção de palha de aveia, que podia valer tres mil reis, a propagar-se hia a uma porção de trigo
ainda em rama, se não fossem os prontos soccoros do pessoal que apagaram o fogo a tempo."
Noticias de Cantanhede, n°24 07/08/1910, p3
30 VIII 1921
"Ha dias manifestou-se um pavoroso incêndio na casa de habitação e oficina de pirotecnia do nosso amigo Joaquim Ribeiro do visinho lugar da Lapa ardendo tudo por completo ficando o nosso amigo, e
sua esposa apenas com a roupa que tinha vestida...
Os prejuizos são calculados em 800 escudos.
Lamentamos deveras este acontecimento, aconselhando ao nosso desditoso amigo que se resigne com tamanha infelicidade."
A área geográfica correspondente à Denominação de Origem "Bairrada" abrange os concelhos de :
Águeda (freguesias de Aguada de Baixo, Aguada de Cima, Águeda, Barrô, Belazaima do Chão, Borralha, Espinhel, Fermentelos, Óis da Ribeira, Recardães e
Valongo do Vouga)
Anadia
Aveiro (freguesia de Nariz)
Cantanhede (freguesias de Ançã, Bolho, Cadima, Camarneira, Cantanhede, Cordinhã, Corticeiro de Cima, Covões, Febres, Murtede, Ourentã, Outil, Pocariça,
Portunhos, Sanguinheira, São Caetano, Sepins e Vilamar), Coimbra (freguesias de Botão, Souselas, Torre de Vilela, Trouxemil e Vil de Matos)
Mealhada
Oliveira do Bairro
Vagos (freguesias de Covão do Lobo, Ouca, Santa Catarina e Sosa)
Celebrou-se nesta freguezia, no dia 18 do corrente mez de Agosto, a festividade de N.S. de Nazareth.
Não são muito frequentes nas freguezias ruraes festividades com a pompa da que naquelle dia se solemnisou em Ourentã, devido isto ao grande zelo, trabalhos e esforços do incansavel vigario, José
Pedro de Mello Coutinho. De manhã houve exposição do Santissimo e missa cantada a musica vocal e instrumental, regida pelo habil mestre da phylarmonica nova de Cantanhede. Ao evangelho subiu ao
pulpito o muito digno parocho da mesma freguezia d'Ourentã. Foi celebrante o revd.° Antonio de Mello Coutinho, acolytado pelos revd.os Francisco Cruz, e Ventura de Pinho, prior de Cordinhã,
servindo de mestre de ceremonias o theologo terceiranista Moyses da Costa Silva Nora.
Para realçar ainda mais o esplendor da festa receberam 'nesse dia pela primeira vez o pão dos anjos, 41 creanças, todas lindamene vestidas de branco como é proprio d'aquele acto.
De tarde, depois das ceremonias do ritual, houve sermão pelo parocho de Murtede, o revd° Manuel da Silva Costa e Nora, e tanto este como o da manhã, mais uma vez manifestaram os seus elevados
dotes oratorios correspondendo assim admiravelmente ao esplendor da referida festividade. Ao sermão seguiu-se a imponentissima procissão da numerosa irmandade d'aquella freguezia que percorreu em
boa ordem as ruas principaes da terra, e na qual se destacavam 14 anjos primorosa e elegantemene vestidos pelas ex.mas manas do revd.° parocho D. Anna, e D. Izabel de Mello Coutinho.
No mesmo dia offereceu o mesmo revd.° parocho a alguns dos seus numerosos amigos um jantar, onde vimos entre outros os ex.mos srs. dr. José Luiz Ferreira Freire, meritissimo deputado pelo circulo
de Cantanhede; Joaquim Pereira Machado, negociante e abastado proprietario em Murtede, e Antonio Clemente Pinto, muito digno director do Banco Commercial de Coimbra. A noite houve recita por
amadores da terra préviamente ensaiados pelo sr. Manso e na qual, se distinguiram a menina Rosalina, interessante filha do sr. Manuel Dias, e uma outra cujo nome presentemente ignoro.
Assim terminou pelas 2 horas da manhã aquelle dia festivo, que é mais um facto, digno de ficar gravado nas paginas da historia do povo de Ourentã.
Bacharel formado em Direito pela Universidade de
Coimbra.
Viveu seus primeiros anos em Santo Tirso (Porto). Saiu de la por volta de Agosto de 1876, com a transferência de seu pai, para exercer a função de Escrivão de Direito em Agueda (Aveiro). Quando
esse faleceu em Outubro de 1893, a familia foi viver para Ois do Bairro (Anadia, Aveiro) de onde eram naturais os seus ascendentes paternos. Passaram a viver "ora naquele lugar, ora na Pocariça,
onde haviam nascido os [seus] ascendentes maternos".
Depois de Viriato ter concluido seu estudos universitarios em Julho de 1896, fixaram definitivamente a residência na Pocariça, "que desde então [habituaram-se] a considerar como [sua] terra".
Escreveu varias obras sobre o Concelho de Cantanhede :
- Convento de Santo Antonio de Cantanhede - Apontamentos para a sua Historia. in numero especial da Gazeta de Cantanhede. 15/08/1936
- A freguesia da Pocariça do Concelho de Cantanhede - Apontamentos para a sua Historia. 1939 (réed. 1997)
- Cantanhede - subidios para a sua Historia. Coimbra Editora Lda,1960.
Genealogia :
Era filho de José Augusto Nunes Fragoso (Ois do Bairro, Anadia, Aveiro) e de Henriqueta de Jesus Torreira de Sa (Pocariça) Neto Paterno de ? (Ois do Bairro, Anadia, Aveiro) Neto materno de Tomé Joaquim de Sa (1784-1852) e de Maria Clara Torreira da Fonseca ambos da Pocariça
Tinha pelo menos um irmão : Carlos de Sa Fragoso (1876-1948), Bispo de Meliapore
(India)
Casou com Maria Isabel de Sa Lima, filha de Antonio Maria Lima e Fortunata Adelaide Torreira de Sa
Tiveram 5 filhos :
- Antonio (1897-1918)
- Maria Isabel ( -1918)
- Maria Fernanda
- Carlos ( -1918) (aluno do 3° ano da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra)
- Maria do Céu ( -1918)
em espaço de cinco dias (de 13 a 17 de Outubro de 1918) faleceram-lhe quatro filhos, vitimas da epidemia de gripe broncopneumónica...
António Lima Fragoso (1897-1918)
António Lima Fragoso nasceu na Pocariça (Cantanhede) a 17 de Junho de 1897 e faleceu na mesma localidade a 13 de Outubro de 1918, vítima da gripe pneumónica que
nesse ano assolou toda a Europa. Começou os estudos musicais aos seis anos de idade com um tio que o iniciou na aprendizagem
do piano.
Fez o curso segundario no Porto e em Outubro de 1912 matriculou-se no primeiro ano do Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial dessa cidade. Em Julho de 1913 fez os
respectivos actos, obtendo distinções em alguns.
Matriculado no 2° ano desse curso, resolveu interrompê-lo em Março de 1914, seguindo logo para Lisboa a fim de se dedicar mais intensivamente ao estudo da musica.
Nesse ano, após ter vencido alguma resistência dos pais, matriculou-se no Conservatório Nacional de Música
de Lisboa onde, em 1918, concluiu o Curso Superior de Piano com a mais alta classificação (20 valores).
Morreu aos 21 anos, pouco mais de três meses depois da conclusão dos seus estudos
oficiais.
Foi um compositor precoce, considerado pelos críticos da época como um dos mais poderosos talentos da sua geração. Deixou obras para piano, canto e piano e conjuntos de câmara.
Obras :
"Nocturno para orchestra" deAntónio Lima Fragoso,
interpretado pelo Simón Bolívar Symphony Orchestra, condutor : Jesús Ignacio Pérez Perazzo:
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