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Cemitério de Cantanhede

 

 

Ayres de Sá Pereira e Castro  (Cantanhede *16.04.1809 +20.10.1899)

Poeta

 

     
Aires-de-Sa-Pereira-e-Castro-sep-01.jpg

Aqui jaz /

Ayres de Sa Pereira e Castro/

falleceu em 20-10-1899

 Aires-de-Sa-Pereira-e-Castro-sep-02.jpg

 

 

Pai : João de Sá Pereira (+ Cantanhede, 1867)

Mãe : Doroteia Henriques de Castro (* Coimbra + Cantanhede, 15.11.1834)

 

Neto paterno de : José de Sá Pereira (* Estarreja, Beduído, Quinta Velha 19.02.1743 + Cantanhede, 23.11.1828) e Florência Maria de Santana Pessoa de Oliveira

Neto materno de : João Henriques de Castro (* Águeda, Recardães 1739 + Cantanhede, 13.06.1822) e Teresa Teodora

 

 

 

 

LUSO 17 DE JULHO DE 184…

 

Visito ainda outra vez as tuas cimas,

Ó Libano de Lisia, alto Bussaco :

E venho sob os teus copados cedros

            Passear meditando.

Oh ! quanto és magestoso : e como é grata

A sua solidão : como são puras

As tuas fontes de geladas aguas !

Ou do mais alto cume olhos se espraiem

Por serras, que a teus pés lizas parecem,

Até á ourella das areis loiras,

E ao mar que representa um vasto lago,

Aonde pouco a pouco o sol mergulha,

Tomando varias formas, qual o vimos,

Já batel de fogo,

Que se submerge em fim… ; - ou, se descidos

Por entre as tuas brenhas escondidas,

Caladas e sombrias, penetramos,

Aonde o coração possa carpir-se,

Suspirar e gemer bem livremente…..

Tu sempre és bello, encantador, sublime

            Ó monte sacrosanto !

……………………………

……………………………

 

 

Fonte do castanheiro, não me esqueces,

Que sozinha entre as serras e penedos

Gemes tão meiga, como a rola triste ;

Nem me esqueces tambem, passeio lindo,

            Silencioso, da noite ;

Nem as que ali senti sensações vivas,

Puras, como o reflexo da alva lua,

Que por entre pinhaes se divisava

Manso e manso subir, e como a furto ;

Tristes, como a soidão dos arredores,

Ou como o éco, que no monte opposto

Respondia quexoso ás nossas magoas ;

Doces, como o sussrro mal ouvido

Da agua que foge e desce ao valle fundo,

Oh ! que não possam acompanhar-nos sempres

Estes pedaços da existencia nossa ! ...

Transferi-vos aqui, doces lembranças,

O curto espaço de tão bons momentos

Quero rever alguma vez, e quero

Males presentes adormentar com elles

É forçoso partir… Adeus, ó fonte,

Adeus, ingreme serra ; eu te saúdo

Ó Libano de Lysia, alto Bussaco.

 

in :

O trovador : Collecção de poesias contemporaneas, redigida por uma sociedade d'academicos. Typographia leiriense, 1853 (2° ed.). pp329-330.

 

 

 

Fonte :

- http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=1340193

genealogia

- fotos : Cemitério de Cantanhede

Tag(s) : #Cantanhede, #Cantanhede : Pessoas

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