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Antigamente, era frequente a existência de duas cozinhas.

 

Uma cozinha mais tosca, chamada cozinha de forno ou casa do forno, e uma cozinha melhor, por vezes chamadROQUE-GAMEIRO-Raquel--1889-1970--Interior-de-cozinh.jpga casa do lume. A cozinha do forno servia normalmente de cozinha de todos os dia, e  quando vinha gente de fora passava-se sempre para a cozinha melhor, mais arrumada.

 

 

"A cozinha, mais conhecida por casa-do-lume, é a divisão mais importante da casa gandaresa do sul, a qual, na casa de Mira, fica situada sempre numa espécie de anexo. É um prolongamento da habitação para a retaguarda, em ângulo recto, a partir da frontaria, no extremo oposto ao portão e ao celeiro. Sendo a mais importante, a cozinha não é, porém, a mais nobre divisão da casa, que é a sala, e tem sensivelmente as mesmas dimensões desta. Aí se confeccionam e toma as refeições diárias.

 

Estas são preparadas ao lume do boralho em panelas de ferro, raríssimas nos dias de hoje, ou em caldeiros suspensos do cambo, a que no Seixo de Mira se dá o nome de cambeiro. Junto ao borralho, e encostado ao perro, entre este e a parede, fica o canto-da-lenha.

cozinha-chamine-01.jpg

 

A chaminé, que cobre toda a lareira, tem no seu interior, e a meia altura, pau-das-linguíças, ou varal-das-linguíças, onde estão enfiados estes enchidos para serem curados ao fumo diário e lento do borralho ; na sua base, mas da parte de fora, alinha-se uma espécie de prateleira, onde se guardam os testos dos caldeiros e a loiça mais grosseira.

 

cozinha almario 01

Suspensa do tecto e de difícil acesso às mãos dos cachopos, fica a tábua da broa, a qual, nas famílias mais numerosas e menos remediadas, só podia ser bulida, isto é, encetada, mediante autorização expressa do pai. Encostado à parede em frente da chaminé, situa-se o poio ou poial, que tem acoplada na parte superior a cantareira, destinada exclusivamente a guardar a loiça de utilização diária. Debaixo do poio, fica o almário. Nele se encontra o pote do sal-de-manteiga, algum cântaro de azeitonas, e na superfície do poio coloca-se o asado da água da fonte e as garrafas do azeite e do vinagre.“

p15-16

 

 

 

Refeições :

refeições de trabalhadores na Beira Baixa e parte da Beira Alta no Verão :

 

Almoço : às 7 h

Fatia : às 10 h

Jantar : às 12 h

Merenda : às 16 h 30

Ceia : às 20 h

 

 

Definições :

 

Almário : o mesmo ou melhor que armário.

 

Bulir : começar a cortar uma broa ou um pão que estavam intactos.

 

Perro : trave vertical de madeira que sustenta a base da chaminé, na confluência das duas estruturas que vêm das paredes, a que a mesma se encosta. Nalguns locais da Gândara também se chama pião. Nela por vezes se espetam pregos para neles se dependurarem pequenos ustensílios de cozinha.
 

Sal-de-manteiga : obtém-se juntando à banha de porco derretida ao lume uma certa quantidade de sal, e que vai servir para temperar a cozinha ou sopa gandaresa. Guarda-se em potes de barro no almário, debaixo do pião.

 

Tábua : tábua de madeira com cerca de metro e meio de comprimento suspensa do tecto da casa-do-lume, onde dantes se guardava a broa para toda a semana.

 

 

 

Fontes :

- Idalécio CAÇÃO. Sobre a Gândara e a Casa Gandaresa.1999, pp15-16.

- João REGOTA. A Gândara antiga. Centro de Estudos do Mar : 2000, p279.

- Idalécio CAÇÃO. Glossario de Termos Gandareses. 2002. 

- José Leite de VASCONCELOS. Etnografia portuguesa vol. VI. Imprensa Nacional Casa da Moeda : 2007.

- imagem a cores : Raquel Roque Gameiro (1889-1970) "Interior de cozinha"

- outras imagens : Fernando GALHANO. Desenho Enográfico.1985.

 

 

Meus artigos :

- o Forno

- a Lareira 

 

 

Tag(s) : #Cantanhede, #Cantanhede : Tradições, #Tradições, #Antigamente

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