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Utilidade da cal :

 

A cal foi um produto muito utilizado até às primeiras décadas do século XX :

 

- na construção (como argamassa e na produção de adobes)

- na agricultura (regulariza os solos no tratamanto da vinha)

- em indústrias transformadoras (por exemplo na do vidro)

 

 

Produção antes do século XIX :

 

A produção de cal no concelho de Cantanhede existe desde há séculos.

 

Nos documentos relativos à construção da Torre da Universidade de Coimbra (século XVIII) indica-se que Cantanhede fornecia cal.

 

 « partilhando do clima de contestação anti-senhorial que se vivia no couto de Cadima [estava-se nos anos 1730], os moradores do Zambual começaram a insurgir-se contra o tributo que tinham de pagar porc ada fornada de cal […]. A contestação assumia, por vezes, a forma de violência contra os agentes de cobrança. Teresa de Jesus, em 1731, acompanhada das suas filhas e um filho espancaram com paus e trancas um executor que lhes ia cobrar 480 réis de foro de 2 fornadas de cal, "discompondo-o que era Hum ladram" »

 

Margarida Sobral Neto. Terra e conflito. Região de Coimbra (1700-1834). Viseu, Palinsage Editores 1997, pp128-129.

 

 

Não se encontra nenhuma fonte sobre a indústria de cal no concelho de Cantanhede antes de 1861. O que não quer dizer que não existia, mas devia ser mais artisanal.

 

 

Século XIX :

 

Segundo António Alexandre Henriques Figueira, o primeiro forno de cal instalado em Cantanhede começou por volta de 1850, devido à iniciativa de Francisco dos Santos Cêra.

 

 « Este grande lavrador e industrial, chegou a possuir oito juntas de bois, que se encarregavam do transporte de cal e de vinhos da sua produção, para terras longínquas.

 

Com o decorrer dos anos, foram-se construindo mais fornos de cal, que se concentraram nos imediações da Estação dos Caminhos de Ferro (que havia sido inaugurado em 1822) pois, o transporte em carros de bois foi sendo progressivamente abandonado para se usar, quase em exclusivo, o transporte em grandes vagons que levavam a cal de Cantanhede, aos grandes centros urbanos de Portugal. »

 

 

1874 : existem no concelho de Cantanhede 4 pedreiras

 

1884 : « Os concelhos de Soure e Cantanhede enviaram amostras de excelente cal branca para construção. No segundo destes concelhos [Cantanhede] é extraordinário o fabrico de cal, sendo este produto, depois do vinho, a principal mercadoria que procura as estações do mal-aventurado ramal do caminho-de-ferro da Pa mpilhosa à Figueira »

Revista, Exposição Distrital de Coimbra em 1884

 

1886 : são 10 pedreiras (5 para a produção de cal)

 

1890 : Inquérito Industrial de 1890

- existiam 5 fornos de cal : 1 de Manuel Dias da Costa, outro de José Correia Pires – localizados juntos à estação de caminho-de-ferro – e três apenas referenciados como de pequena indústria

- a totalidade do capital social de todos eles era de 8 900$000 réis (2 200$000 de capital fixo 6 700$000 de circulante)

- trabalhavam nos mesmo 31 operários (10 dos quais sabiam ler)

- a produção total no ano de 1889, foi de 6 700 toneladas, cujo valor atingia 17 220$000 réis

 

« Este concelho não tem indústrias fabris nem manufactureiras, existindo apenas como indústria importante, a da cal, sendo ainda assim, a sua produção temporária na maior parte nos fornos. Não há oficinas ou casas de trabalho importantes ; não há estabelecimentos, em geral, que empreguem mais de um indivíduo, que é o próprio dono, dando-se o facto do operário ir, na maior parte do ano, fazer serviço em casas particulares. »

Inquérito Industrial de 1890, vol 11, p451

 

 

Segundo António Alexandre Henriques Figueira " o maior apogeu de tal indústria, terá sido nas décadas do 1930-40 e o último forno a fechar, foi em 1973. "

A indústria de cal desenvolveu-se no concelho de Cantanhede até aos anos 1960-70.

 

Segundo Carlos Manuel de Oliveira :

- existiram no concelho pelo menos 38 fornos de cal (fora os que foram destruidos sem deixar nenhuma documentação)

- em 1997 : 5 ainda funcionavam

- as freguesias com mais fornos eram : Cadima (13), Outil (11) e Cantanhede (8)

 

 

 

Grandes industriais deste ramos :

Joaquim Louro, José Pires, José Pitone, José Salgueiro, Albino Arribança, Neo Ribeiro, irmãos e primos da Pocariça, François Vian, franceses de Outil, etc.

 

 

 

forno-cal-cantanhede-01.jpg

forno-cal-cantanhede-02.jpg
Fontinha (Febres, na estrada de Cantanhede para Mira) 2005  o mesmo reabilitado em armazém. 2006
forno-cal-carvalho-01.jpg  
 Carvalho (Murtede) 2007  

 

 

Houve fornos de cal em Ançã, Cordinhã, Outil, Cadima, Portunhos etc. Existem vestigios de cerca 30 fornos no concelho de Cantanhede (fonte).

 

 

Fontes :

 

- MENDES, J. Amado. Estudos do Património. Museus e Educação. Imprensa da Univ. de Coimbra, 2009. pp83-92 : « Os fornos de cal no concelho de Cantanhede »

- FIGUEIRA, António Alexandre Henriques. Personalidades ilustres gente de bem e figuras típicas de Cantanhede século XX. Cantanhede : gráfica Cantanhedense, 2001. p241.

- GREGÓRIO, Carlos Manuel de Oliveira. Os fornos de cal no concelho de Cantanhede. Coimbra: C.M.O. Gregório, 1997.

- Fotografias pessoais

Tag(s) : #Cantanhede, #Cantanhede : Tradições, #Profissões

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